As eleições no Equador...

Chegará o fim dos ciclos progressistas na América Latina?

05/01/2017
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Desde que iniciei meus estudos acerca do Equador, quando da primeira eleição de Rafael Correa com vasto apoio da população, tenho acompanhado os deslizes e os ciclos deste governo e da América Latina de um modo geral. E a cada ano se reafirmava a máxima que o subdesenvolvimento não é um trecho para o desenvolvimento, o sistema funciona nestes moldes, sem mudança estrutural nunca haverá mudança ciclópica. Este é o primeiro de outros artigos que deve analisar a conjuntura do país que em 2006 se declarou anticapitalista e anti neoliberal e que ao longo de uma década demonstrou que mesmo sob tentativa de golpe militar em setembro de 2010 quando policiais protestavam contra a Lei Orgânica de Serviços Públicos e Carreira Administrativa, que eliminava alguns incentivos para os trabalhadores, mesmo sob múltiplos protestos indígenas em 2015 que alegava que o governo se usava da linguagem de esquerda para retirar direitos1 seu ciclo de 10 anos chegou ao final demonstrado que estamos no capitalismo desde a periferia e sabemos bem como é viver em colônias (Ouriques, 2015). O que quero dizer, é que as estruturas do subdesenvolvimento não podem admitir mudanças dentro da ordem. E por mais intensos que sejam os processos de modernização, reformas e redistribuição de renda, que são importantes, quando findados tais processos percebe-se que permanecemos com a mesma estrutura de subdesenvolvimento. É o desenvolvimento do/no subdesenvolvimento.

 

O sistema metabólico é constituído por capital, trabalho e Estado no qual este último para além do uso da legalidade e da força também se legitima por meio da ilegalidade na sua constituição mais intima, estando mesmo acima da lei algo que foi bastante percetível no golpe jurídico realizado no Brasil em 2015, em nome da legalidade e da falsa democracia (Mészáros, 2015, p.46). A questão é a não excepcionalidade deste fato, ao contrário, tal ação é sempre sine qua non para qual o Estado exerce seu poderio e sua instauração. Descolado da realidade o Estado aparece como algo alheio à própria população que observa seus ditames paralisada ante a possibilidade de alterar as relações desta tríplice força. Os governos latino americanos possuem em comum o fato de ter dado enfase maior as políticas sociais enquanto que, Bolívia, Equador e Venezuela se dispuseram a consultar a população por meio dos plebiscitos que, a meu ver, é uma forma de aproximar as pessoas dos debates políticos.

 

A América Latina foi governada mais de 10 anos por governos titulados à esquerda. Rafael Corrêa, após 10 anos no poder, não concorrerá a eleição em 20172 e até o presente momento as pesquisas dão como vitorioso no dia 19 de fevereiro de 2017 o seu sucessor Lenin Moreno, que foi seu vice e é formado em administração pública. Correa teve um período considerado áureo em seu primeiro mandato, foi o primeiro presidente a concluir seu mandato até o final uma vez que de 1992 a 2006 houve uma série de 3 presidentes derrubados. Segundo a agencia de pesquisa Cedatos a corrupção3 é um tema que preocupa os equatorianos e é um fator condicionante para suas escolhas aproximando-se do período eleitoral. A mesma agência de pesquisa divulgou ao final de dezembro de 2016 que por ora, quem lidera as pesquisas com 32% dos votos é o candidato que sucede o atual presidente, Lenin Moreno, integrante do movimento Alianza País (AP) na sequencia aparece o banqueiro e dirigente da Associação dos Bancos Privados Guilherme Lasso do Movimento criando oportunidades (CREO) com 22% das intenções de voto, sendo esta sua segunda chance de presidir o país. A oposição intencionará um segundo turno, com chances de unificação para fazer ruir a suposta continuidade do projeto da Revolução Cidadã. Serão oito chapas em disputa a ocupar o Palácio de Carondelet e a campanha começou no dia 03 de janeiro, logo ainda há muita água neste moinho.

 

  • Guillermo Lasso e Andrés Páez (Creio - Soma),

  • Paco Moncayo e Monserrat Bustamante (Acordo pela Mudança),

  • Dalo Bucaram e Ramiro Aguilar (Partido Força Equador)

  • Cynthia Viteri e Mauricio Pozo (Partido Social Cristão)

  • Lenín Moreno e Jorge Glas (Movimento Aliança País),

  • Washington Pesántez e Álex Alcívar (Movimento União Equatoriana),

  • Iván Espinel e Doris Quiroz (Movimento Força Compromisso Social)

  • Patricio Zuquilanda e Johnnie Jorgge (Partido Sociedade Patriótica).

 

Elaine Santos é Socióloga, Mestre em Energia e Doutoranda em Sociologia na Universidade de Coimbra.

 

 

Referências

 

Mészáros, István. (2015). A montanha que devemos conquistar. Editora Boitempo, São Paulo.

 

Ouriques, Nildo. (2015). O colapso do figurino francês: Crítica às ciências sociais no Brasil. Editora Insular. 2ª edição

 

Páginas Acedidas

 

http://www.telesurtv.net/news/Rafael-Correa-ratifica-que-no-se-postulara-a-la-reeleccion-20160808-0002.html

http://www.cedatos.com.ec/detalles_noticia.php?Id=273

http://brasil.elpais.com/brasil/2015/08/15/internacional/1439609325_599565.html

https://www.alainet.org/pt/articulo/182653
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