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Além do hambúrguer e da Coca-Cola

Opinión
13/03/2019
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Foto ABC News
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Estavam ali dois gênios do fazer lanches com rapidez e qualidade. Colocando em seu quiosque as mais significativas técnicas de gestão de produção e revolucionando o mundo do fast food. Tudo certo naquilo que se propunham, trabalhavam bem, rápido, com qualidade no produto e no serviço. Não desejavam muito mais do que os milhares de consumidores que vinham angariando dia a dia. Eram, portanto, bem sucedidos os irmãos Mc Donalds.

 

Eram bem sucedidos, até que alguém olhasse seu empreendimento e notasse o potencial de mercado. E devagar e espertamente aparou as arestas, diminuiu perdas, e potencializou lucros. Então vendeu a ideia e as franquias se multiplicaram.

 

Os consumidores nem perceberam, mas logo estavam comendo toda artificialidade do capitalismo, embrulhada em conservantes e corantes, com muito aromatizante e algumas salpicadas de câncer e doenças cardiovasculares.

 

O povo se satisfazia com a rapidez e o sorriso dos atendentes. A jovialidade e a cara do novo.

 

O marketing criava o estilo Mc Donalds, do uniforme ao formato da logomarca. E o câncer e o infarto viraram grife. Tudo pelo prazer de ser um consumidor do “M” amarelo.

 

A morte é coisa da vida, faltavam dizer. Ninguém infarta se não houver predisposição genética. Crime perfeito.

 

Os Mc Donalds amavam tanto o que faziam que, por levar seu nome, precisavam ser vistos como os melhores em qualidade de produto e serviço. Alguém percebeu que ganharia muito mais vendendo e gerenciando os espaços e o serviço. Cai a qualidade do produto, mas já a fama e marketing se encarregaram dos lucros. E sorrateiramente os donos da ideia perderam tudo para o dono da ambição.

 

Muitos empreendimentos poderiam substituir o Mc Donalds nesse relato breve. A Coca – Cola, por exemplo, onde a garrafa e o rótulo vendem mais que o líquido estranhamente viciante. Açúcar em forma líquida, acidulantes, corantes perigosos e tantos outros componentes que dariam medo à fórmula da heroína, mas que “refresca” a dura vida que ajuda abreviar, somente dos que tem predisposição, claro. Tudo fundamentado na teoria de Darwin sobre a lei dos mais fortes.

 

E o capitalismo que produzia o dispensável e alimentava os desejos do ego olhou para o horizonte e viu que tinha feito tudo. Daí pensou por onde deveria ir para continuar caminhando, uma vez que o mundo jazia aos seus pesados, mas macios pés.

 

A Política! Eis essa bela dama de moral duvidosa e bem vestida. Cheia de filhos inúteis e amantes pervertidos. Mas linda e moralista.

 

A linda senhora já não muito jovem, valendo- se de muitos recursos materiais mantém-se formosa. Mas já sua voz treme e denuncia sua idade e já não é tão desejada.

 

Por perto a “novinha” América Latina aponta seus traços mestiços de indígenas e negros. Formas voluptuosas e olhos brilhantes. A moça é altiva, mas inocente ainda. Possui brilho nos olhos isso que a velha política não possui mais.

 

A jovem mantida em cativeiro se liberta aos poucos e quando está pronta para sentar à mesa descobre do pior jeito que lhe tiraram a cadeira.

 

Agora está por baixo. Suas vergonhas expostas, roupas rasgadas e violentada pelos filhos e amantes da velha senhora, justo para que esta se regozije.

 

Enquanto isso o marketing se encarrega de exaltar os senhores do mundo como os salvadores morais de uma jovem que beirava o “homossexualismo”. Ela precisava de ajuda, agora se curará e se dará ao respeito. Entenderá que seu lugar é na área de serviço. É dolorido, mas necessário.

 

Muitos acreditam, já que aqueles são os donos do mundo. Ali estão os que conquistaram tudo, só pode ser verdade.

 

E a herança da mocinha, muito maior do que se sabia passa a ser dividida entre os que se sentam à mesa. A desculpa é que ela sempre foi pobre, não saberia o que fazer com tanta riqueza. Obviamente perder-se-ia. Melhor manter os ricos como tuteladores das riquezas.

 

E a linda e empobrecida America Latina, em choque, assume seu papel servil e coadjuvante em seu próprio mundo. Acredita que é o melhor, e que seus raptores são bons e aquela linda senhora é uma mãe.

 

Falta apenas espiritualidade. Não serve essa coisa étnica. Tem que ser a verdadeira. A que veio do centro do mundo. A do Deus branco, homem e autoritário e a dos anjos que falam inglês.

 

Que bela a jovem prostituída pelo velho mundo!. Já tão jovem envelhecendo os traços.

 

A jovem agora consome alegre o câncer embutido no alimento processado, engorda e deforma, mas agradece o alimento sublime que lhe sacia a fome e mata a sede. Apenas mata, engorda, endivida e deforma.

 

Mas, vejam! O problema do mundo é o Comunismo. O príncipe encantado com quem a jovem ousou flertar, mas que na verdade jamais viu, senão em sonho. Na verdade o jovem existe, mas é apenas um trabalhador braçal, desses do campo, que vive do seu trabalho e pisa o barro com o qual constrói a própria casa. Um lindo. Ele não acredita em mulheres em torres a serem resgatadas. Ele as ensina e aprende com elas o necessário para a vida, sem excedentes, sem amarras.

 

Eis que esse rapaz não lhe interessa. Prefere o abuso dos ricos e a glória do rótulo da garrafa cujo conteúdo mata.

 

A sorte é que o rapaz não está só. Apenas não se obriga aos enganos de um mundo exclusivista. Ele ama e vive flertando com a Anarquia. Um dia ela decide ficar mais um pouco quem sabe tenham filhos e quem sabe nós teremos salvação.

 

13/03/2019

https://jornalggn.com.br/artigos/alem-do-hamburguer-e-da-coca-cola-por-cristiane-alves/

 

https://www.alainet.org/pt/articulo/198696

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