Equador: oposição sai na frente no 1º turno

Comemorando a margem expressiva de votos recebida, o candidato disse que “a vitória do povo equatoriano neste domingo servirá de estímulo à integração regional”.

08/02/2021
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Andrés Arauz
Foto: Divulgação
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O Equador foi às urnas neste domingo (7) para eleger o presidente e o vice-presidente, os 137 membros da Assembleia Nacional e os cinco parlamentares andinos, com um alto índice de comparecimento de 82%, apesar da pandemia.

 

As projeções da boca de urna – que vinham sendo confirmadas até a madrugada pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) – apontavam a vitória do economista Andrés Arauz, mas com a necessidade de segundo turno. Com 36 anos, Arauz é da União pela Esperança que fez campanha denunciando o desastre econômico causado pelo atual governante, L. Moreno e a incapacidade de lidar com a pandemia.

 

O desgaste do governo atual é tão grande que Moreno desistiu de apresentar candidatura à reeleição.

 

Como a Constituição do Equador define que para vencer no primeiro turno o candidato deve obter 50% dos votos mais um ou mais de 40% dos eleitores, com 10% de vantagem sobre o segundo colocado, uma nova eleição ficou marcada para 11 de abril.

 

O Instituto Consultoria Clima Social projetou que Arauz teria conquistado 36,2% dos eleitores, contra 21,7% do banqueiro Guillermo Lasso – identificado com o plano neoliberal e de proposta continuísta. Logo atrás viria o líder indígena e ex-governador da província de Azuay, Yaku Pérez, do Movimento de Unidade Plurinacional PachaKutik, com 16,7%. Para o Instituto Cedatos, Arauz alcançou 34,94%, seguido por Lasso e Yaku, com 20,99% e 17,99%, respectivamente.

 

Contrariando as projeções dos institutos, com 64% das urnas apuradas, quem estava indo para o segundo turno era Yaku, mas com vantagem de pouco mais de 1 ponto percentual até aqui. Ele é conhecido pela defesa da natureza, pelo combate ao extrativismo e por ter liderado as manifestações de rua contra as políticas de “ajuste” de Moreno, em 2019. Pela contagem oficial seriam 31,71% para Arauz, contra 20,54% de Yaku e 19,21% de Lasso, vinculado à Opus Dei e que concorre pela terceira vez. Os demais votos seriam pulverizados por outros 13 candidatos.

 

Denuncia do desgoverno

 

Ex-ministro do presidente Rafael Correa, Andrés Arauz é um jovem economista de 36 anos identificado com os avanços socais conquistados no período em que, entre 2007-2012, o crescimento médio do Produto Interno Bruto (PIB) foi de 3,4%. De forma didática, ele tem denunciado que “o governo de Moreno tem sido nefasto para a grande maioria da população equatoriana, baseado em um modelo embasado em uma economia política que concentra a riqueza em muito poucas pessoas e prioriza os especuladores estrangeiros, em meio a um processo de perseguição política necessário para implementar esse modelo neoliberal”. Além disso, condenou, “uma absoluta destruição do aparato estatal que torna vulnerável os direitos da maioria da população em matéria de saúde e educação, entre outros”.

 

Para Arauz, a pandemia tornou ainda mais evidente o abandono do sistema de saúde e a falta de investimentos no sistema educacional”. “Tudo isso mostra como o governo havia abandonado estes temas e o equatoriano comum sentiu isso diretamente. O fato é que se aproveitaram de um momento de crise para aplicar a doutrina do choque e, em vez de gerar alívio ou mais direitos para os cidadãos, se utilizaram para aprofundar a precarização dos direitos trabalhistas e fomentar as privatizações”, ressaltou.

 

E no meio de todo este quadro de pandemia e entrega da soberania, frisou, “há um processo eleitoral com a particularidade de ocorrer no marco de um caos institucional, com autoridades fruto de um fatiamento político que debilitou a formação técnica e profissional das instituições”. E o mais importante, sublinhou, “temos um processo de perseguição política aberto que significou a proscrição da principal força política do país. Apesar de tudo isso, graças às portas abertas de outros movimentos, estamos participando e vamos ganhar”.

 

Na avaliação de Arauz, “os principais desafios, claramente, estão ao redor da pandemia. A urgente necessidade de recuperar a situação econômica familiar de milhões de equatorianos. Em segundo lugar, encontrar soluções mediante a vacina para fortalecer o sistema de saúde pública. E terceiro, retomar o modelo de desenvolvimento baseado na Constituição, relacionado com uma forte presença do Estado”.

 

Comemorando a margem expressiva de votos recebida, o candidato disse que “a vitória do povo equatoriano neste domingo servirá de estímulo à integração regional”. “Vamos poder impulsionar a integração em todos os espaços onde o costumava participar. Porém dando ênfase à integração regional como elemento adicional, porque acreditamos que seja insuficiente a integração entre os Estados e governos. E isso significa a integração efetiva em nível dos movimentos sociais, de estudantes, professores, apoio especial às artes e aos trabalhadores”.

 

8 de fevereiro de 2021

https://horadopovo.com.br/equador-eleitores-rejeitam-inepcia-frente-a-covid-e-oposicao-sai-na-frente-no-1o-turno/

 

 

https://www.alainet.org/es/node/210874
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