• Español
  • English
  • Français
  • Deutsch
  • Português

O grande ausente

Análisis
11/10/2018
lula.jpg
-A +A

O fator que finalmente se tornou decisivo no resultado do primeiro turno foi a perseguição ao Lula. Não fosse assim, Lula teria sido eleito domingo Presidente do Brasil, conforme todas as pesquisas e todos os comentaristas.

 

Um processo fajuto, sem nenhum fundamento jurídico e sem nenhuma prova, com condenação baseada em "convicções" de juízes militantes políticos da direita, pode alterar o futuro político do Brasil. A judicialização da política comandou todo o processo eleitoral. Lula não foi reconhecido como inocente, o STF nem sequer julgou o mérito do seu processo, mas deixou correr as escandalosas arbitrariedades cometidas contra o Lula. Ele não pôde nem sequer dar entrevistas, menos ainda votar. Está excluído do processo politico brasileiro, por uma acusação em primeira instancia, pela qual a presunção de inocência, preceito constitucional, vale para todos, menos para ele.

 

Porque se ele estivesse livre ou se pudesse dirigir-se diretamente à população, influenciaria de maneira decisiva as eleições. Ele sempre foi favorito para ganhar ou quem ele indicasse. Mas para isso teria que aparecer, com imagem e voz, indicando a Fernando Haddad como seu candidato. Nem sequer isso foi tolerado. Tem pânico da voz e da imagem do Lula. Dificultaram assim a transferência de votos para o Haddad, que chegou a 29% no primeiro turno, enquanto que o Lula tinha mais de 40% nas pesquisas.

 

O povo brasileiro não se deixou enganar, reafirmou a liderança do Lula como o único grande líder nacional. O povo brasileiro foi suficientemente maduro para apoiar o Lula e desejar que ele se tornasse de novo Presidente do Brasil. Mas foi impedido de faze-lo, pela perseguição politica feita contra ele.

 

Esse foi o fator predominante que impediu que o povo estivesse agora comemorando seu triunfo nas eleições deste mês. A judicialização da política está impedindo que as eleições sejam um instrumento democrático da vontade do povo. A soberania popular, em lugar de ser protegida pelo Judiciário, está sendo desrespeitada pelo próprio Judiciário, que acoberta a perseguição ao Lula. E abre caminho para a extrema direita.

 

Não fosse assim, a esquerda já estaria vitoriosa e a direita derrotada. A partir de janeiro teríamos um governo eleito democraticamente, que estaria rompendo com o modelo neoliberal e retomando políticas de inclusão social

 

Se sabia que a direita faria de tudo, resistiria de todas as maneiras a ser derrotada de novo. Mas a via da esquerda é sempre a via democrática. Valer-se dos espaços existentes para abrir caminho para a expressão democrática do povo. Sabendo que a disputa não é democrática, que a exclusão do Lula faria da campanha uma disputa que não corresponde aos desejos do povo. Não ha para a esquerda outra via que não seja a de ampliar sempre os espaços para a participação popular, mediante mobilizações de massa e construção de alternativas políticas.

 

É ainda possível reverter a situação eleitoral. Para o que não basta receber apoios de outros candidatos, o que, por si só, aproximaria Haddad do Bolsonazi. É indispensável tirar votos dele, elevando seu nível de rejeição. Em 2006 a campanha do Lula conseguiu fazer com que seu adversário, o Alckmin, tivesse 2 milhões a menos de votos no segundo do que no primeiro turno, a partir da desconstrução da imagem do candidato da direita, nos debates e nas propagandas da campanha. Difícil, mas não impossível.

 

O rumo da história está sendo falsificado pela judicialização da política, tirando o Lula da disputa, para a qual o povo o queria como seu candidato. A operação jurídica de perseguição ao Lula, impetrado por juízes direitistas e acobertada pelo STF, abriu o caminho para a candidatura da extrema direita, que promove o ódio, a violência, a tortura, discriminação, a violação de todos os direitos humanos. O regime de exceção se perpetuaria, com o beneplácito do Judiciário.

 

O grande ausente do processo, depositário das esperanças do povo, permanece preso e sem poder sequer falar para o povo que o reconhece como seu único grande líder. A historia não termina nunca, mas ha momentos de viradas que desenham o futuro de um pais. Estamos num momento desses.

 

- Emir Sader, colunista do 247, é um dos principais sociólogos e cientistas políticos brasileiros

 

11 de Outubro de 2018
https://www.brasil247.com/pt/blog/emirsader/371838/O-grande-ausente.htm

 

https://www.alainet.org/es/node/195863

Donaciones

portada-525-526-pt.jpg
alem522-pt.jpg
portada-521-pt.jpg
portada-521-pt.jpg
portada-519-pt.jpg
portada-518-pt.jpg
portada-517-pt.jpeg
 alai 516 pt
1
2
3
4
5
6
7
8

Clasificado en

Elecciones