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OMC baixa as perspectivas sobre comercio mundial devido à acumulação de riscos

Opinión
03/10/2018
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Os economistas da Organização Mundial do Comércio (OMC) previram que a escalada das tensões comerciais e o endurecimento das condições de crédito nos mercados importantes devem conter o crescimento do comércio durante o resto deste ano, e em 2019.

 

Alguns dados a respeito:

 

– Se prevê um crescimento do volume de comércio mundial de mercadorias de 3,9% em 2018, acompanhado de um crescimento do PIB mundial de 3,1%.

 

– O crescimento do volume de comércio deve cair em até 3,7% em 2019, enquanto o crescimento do PIB mundial se reduzirá em 2,9%.

 

– O aumento das tensões comerciais é o maior risco que pode afetar essas previsões, mas o endurecimento da política monetária e a volatilidade financeira associada também poderiam desestabilizar o comércio e a produção.

 

– Os indicadores relacionados com o comércio mostram uma perda de dinamismo, incluindo os pedidos mundiais de exportação e a incerteza das políticas econômicas.

 

– Na primeira metade de 2018, a América do Norte registrou o crescimento mais rápido das exportações, e a Ásia mostrou o maior crescimento das importações no mesmo período, enquanto as economias baseadas na exploração de recursos naturais continuam tendo dificuldades.

 

Neste informe, podemos observar que o comércio seguirá crescendo, mas de forma mais moderada que o previsto anteriormente. O novo prognóstico para 2018 está abaixo da estimativa de 4,4% que a OMC difundiu em 12 de abril, mas se mantém dentro da faixa entre 3,1% e 5,5% indicada naquela mesma data. A cifra final de crescimento provavelmente se situará entre 3,4% e 4,4%.

 

A OMC mostra que alguns dos riscos apresentados no comunicado de abril se tornaram realidade, em particular o aumento das medidas comerciais reais ou propostas que afetam várias exportações das economias importantes.

 

Até esta data, os efeitos econômicos diretos dessas medidas foram limitados, mas a incerteza que eles geram poderia já ter consequências, ao provocar uma redução do gasto em investimentos. O endurecimento da política monetária nas economias desenvolvidas também contribui para a volatilidade do câmbio, e poderia aprofundar esse efeito nos próximos meses.

 

O diretor-geral da OMC, o brasileiro Roberto Azevêdo, disse que “embora o crescimento do comércio continue sendo sólido, esta baixa das perspectivas reflete o aumento das tensões que se estão produzindo entre sócios comerciais importantes. Agora, mais do que nunca, é vital que os governos dirimam suas diferenças e mostrem moderação. A OMC seguirá apoiando esses esforços e velará para que o comércio siga impulsando a melhora das condições de vida, do crescimento e da criação de empregos no mundo”.

 

A outra cara do informe: o desvario do capitalismo

 

A OMC insiste em que “as medidas de política comercial não são o único risco contemplado pelas previsões. Se os países desenvolvidos elevarem os juros, as economias em desenvolvimento e emergentes poderiam ser afetadas pela fuga de capitais e pelo contágio financeiro, o que teria consequências negativas para o comércio. As tensões geopolíticas poderiam colocar em risco o fornecimento de recursos, perturbando as redes de produção em algumas regiões”.

 

Por último, a entidade indica que continuam havendo fatores estruturais, como a reorientação da economia chinesa de um sistema baseado no investimento para um baseado no consumo, o que pode afetar a demanda de importações. Neste caso, os riscos contemplados são consideráveis, e podem piorar notavelmente as previsões”.

 

O alerta sobre esta problemática está planteado há algum tempo, mas não se trata de discutir aqui quem tem razão ou acertou sua previsão, e sim analisar a ilusão de ótica do capitalismo predador, enfiado numa profunda crise, agravada pelos desequilíbrios e pelo patético rol do líder da principal potência mundial.

 

Está bastante claro que o comércio mundial vem sendo cada vez mais determinado pelos comportamentos monopólicos que dominam o mercado mundial. Basta dizer que a maior parte desse comércio atualmente envolve as corporações ou empresas multinacionais, transnacionais ou globais. Por isso, o livre comércio é um mito, uma falácia, e o que predomina na verdade é a noção de um comércio desigual.

 

Dito de outra forma: o livre comércio consolida o comércio desigual. Os estados nacionais mais poderosos, que agora estão confrontados em suas batalhas comerciais, assumem a missão de organizar e administrar o comércio mundial, não na perspectiva real de um livre mercado, e sim para assegurar a hegemonia de suas empresas sobre os mercados nacionais e locais das nações emergentes, claramente menos poderosas.

 

Na verdade, se trata de impedir que estas nações disponham de mecanismos de defesa de seus mercados. O domínio dos mercados nacionais ou locais também dependem, em grande medida, do controle dos meios de informação e comunicação, que conseguiram, através da publicidade e outros mecanismos mais sofisticados de grande influência cultural, determinar condutas e comportamentos que se traduzem em um consumismo solvente, cujo núcleo central é o mercado.

 

Estas análises – e seus argumentos – não pretendem outra coisa senão demonstrar que a ideia de uma organização mundial do comércio não é um instrumento que favorece a liberdade do mesmo, e sim o ordenamento do comércio mundial a favor de um núcleo central de países, sob a égide de um capitalismo puro e duro.

 

Nesta direção, podemos inclusive analisar a realidade política e econômica de nossos países que se guiam pelos preceitos da livre mobilidade de capitais, a abertura comercial irrestrita , as privatizações de serviços públicos estratégicos e a desregulação através de reformas de flexibilidade do mercado de trabalho, tudo isso, sob o contexto de um maior controle do excedente pelo capital financeiro, através dos fundos de investimento, dos fundos previdenciários e do próprio investimento direto. 

 

Foi seguindo esses conceitos que o progressismo abraçou os modelos de crescimento econômico cuja ênfase está nos equilíbrios macroeconômicos.

 

Durante as últimas décadas, se acelerou um processo de grandes transformações mundiais que mudaram radicalmente as bases sobre as quais se assentavam as relações internacionais, e que tiveram uma profunda repercussão na vida interna de todas as nações do mundo.

 

Nesse contexto, os países industrializados, favorecidos pelos organismos internacionais, vem utilizando seu poderio e as vantagens econômicas e políticas derivadas da atual correlação mundial de forças para continuar a impor sua “nova ordem mundial” – o neoliberalismo –, cujo projeto é tornar os países do terceiro mundo mais subordinados e dependentes dos países industrializados, imersos em suas guerras comerciais pelos mercados e matérias primas.

 

Essa é a contradição que continua sustentado o capitalismo.

 

Eduardo Camín é jornalista, membro da Associação de Correspondentes de Imprensa da ONU, redator-chefe internacional do Hebdolatino e analista associado ao Centro Latino-Americano de Análise Estratégica (CLAE). estrategia.la

 

Tradução de Victor Farinelli

 

02/10/2018

https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Cartas-do-Mundo/Carta-de-Genebra-OMC-baixa-as-perspectivas-sobre-comercio-mundial-devido-a-acumulacao-de-riscos/45/41918

 

https://www.alainet.org/es/node/195689

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