Alca seria prejudicial ao Brasil, diz estudo - América Latina en Movimiento
ALAI, América Latina en Movimiento

2002-08-14

Brasil

Segundo a Aladi, com o acordo, o País perderia mercado para diversos produtos

Alca seria prejudicial ao Brasil, diz estudo

Jamil Chade
Clasificado en:   Política: Politica, DerechosHumanos, |   Internacional: Internacional, |   Social: Social, Exclusion, Pobreza, |   Economía: Economia, Comercio, Modelos, |
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GENEBRA - A criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), planejada para ocorrer em 2005 com a participação de 34 países, representa mais ameaças que oportunidades para o Brasil. Essa é a conclusão de um estudo realizado pela Associação Latino-Americana de Integração (Aladi).

Segundo o documento, o País sofre a ameaça de perder mercado em 176 produtos exportados por empresas nacionais para os mercados do Hemisfério, o que representa 10% do comércio do Brasil com os países vizinhos. O motivo é claro: a concorrência dos produtos dos Estados Unidos e do Canadá, que entrariam nos mercados dos países latino- americanos em condição de igualdade com o Brasil.

A principal ameaça ao Brasil, segundo a Aladi, está no setor de manufaturados. Máquinas e equipamentos, veículos, papel e celulose e produtos químicos poderiam perder mercado para as exportações do Canadá e Estados Unidos.

No caso das exportações de veículos, poderia haver uma ameaça a 70% das exportações totais do setor no Brasil.

Na avaliação da Aladi, os principais problemas enfrentados pelo Brasil estariam nos mercados da Argentina, Paraguai, Uruguai e Chile.

Atualmente, o País tem tratamento preferencial para exportar seus produtos a esses mercados. Mas com a criação da Alca, os benefícios acabarão sendo estendidos a todos os países do Continente.

Apesar das ameaças, a Alca também pode ser vista como uma oportunidade para que o Brasil aumente suas vendas aos mercados dos Estados Unidos e Canadá.

Segundo a Aladi, 79 produtos poderiam se beneficiar do acordo hemisférico, entre eles alimentos, café, frutas, açúcar, aço e calçados. A questão, porém, é saber se, além da redução tarifária, os norte-americanos irão retirar entraves com barreiras fitossanitárias e salvaguardas.

E não será apenas o Brasil que sofrerá com a criação da Alca. A Argentina, segundo a Aladi, pode enfrentar um problema ainda maior. Segundo a entidade, apenas 61 itens da pauta de exportação da Argentina seriam beneficiados pela criação da Alca. Já os prejuízos ocorreriam em 173 produtos. A Argentina, por exemplo, poderá sofrer a concorrência dos Estados Unidos para exportar trigo ao Brasil, seu mercado cativo desde a criação do Mercosul. Outra exportação argentina que pode ser atingida pela concorrência norte- americana é o setor de combustíveis.

Queda - Apesar de todos os esforços dos governos da América Latina para promover maior integração na região, o comércio entre os países do Continente sofreu uma queda de 15% no primeiro semestre de 2002 em relação ao mesmo período do ano passado, segundo a Aladi.

A razão para a queda do comércio na região é a diminuição no ritmo de importação dos países. "Com a queda na entrada de capital nos países em função das crises financeiras, as economias são obrigadas a importar menos se quiserem manter uma balança de pagamentos razoavelmente equilibrada", diz Michael Finger, chefe do Departamento de Estatísticas da Organização Mundial do Comércio.

Para ele, porém, a Aladi está sendo otimista ao fazer a avaliação do semestre. Segundo a OMC, o comércio do Brasil com a região caiu cerca de 23% nos primeiros seis meses em relação ao primeiro semestre de 2001, sendo apenas superada pela queda na Argentina, que ultrapassou 55%.

* Jamil Chade - Correspondente. Jornal OESP – Caderno de Economia – 14 de agosto de 2002.

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